quarta-feira, 5 de julho de 2017

Termo correto para tratar as pessoas com deficiência –

Termo correto para tratar as pessoas com deficiência – por Fabiana Sugimori

Muitas pessoas ficam confusas na hora de usar uma terminologia para identificar uma pessoa com deficiência, seja qual for a sua limitação. Com o passar do tempo, surgiram terminologias mantidas como "corretas", ao passo que outras foram abandonadas com o argumento de serem politicamente incorretas.

Afinal, qual termo é correto e por quê?

A maioria das pessoas, inclusive as com deficiência, muitas vezes utiliza o termo "portadoras de deficiência" ou "portadoras de necessidades especiais" para citar pessoas que possuem alguma deficiência.

Alguns desses termos, que um dia já foram sabidos, como "deficientes", "pessoas deficientes", "portadoras de deficiência" ou "portadoras de necessidades especiais", mantêm-se no tempo, na memória coletiva, sendo muitas vezes preservados e validados pelos nomes de entidades civis e governamentais que não têm como se desvencilhar de burocracias oficiais para atualizarem seus nomes.

Na maioria das vezes, desconhece-se que o uso de determinada terminologia pode reforçar a discriminação e a exclusão.

Cabe esclarecer que o termo "portadores" origina-se em algo que se "porta", que é possível se libertar quando quiser ou chegar a um destino. Transmite algo temporário, como portar um celular, talão de cheques, um documento ou ser portador de uma doença.

A deficiência, na maioria das vezes, é algo permanente, não se enquadrando no termo "portadores". Além disso, quando se diz que alguém é "portador de deficiência", nota-se que a deficiência passa a ser a marca principal da pessoa, pelo dano de sua condição humana.

No histórico que Maria Isabel da Silva menciona em seu artigo "Por que a terminologia 'pessoas com deficiência'?", observa-se que a terminologia foi se amoldando à sua época:

- "Até a década de 1980, a sociedade utilizava termos como "excepcional", "aleijado", "defeituoso", "incapacitado", "inválido"... Passou-se a utilizar o termo "deficientes", por influência do Ano Internacional e da Década das Pessoas Deficientes, estabelecido pela ONU, apenas a partir de 1981. Em meados dos anos 80, entraram em uso as expressões "pessoa portadora de deficiência" e "portadores de deficiência". Por volta da metade da década de 1990, a terminologia utilizada passou a ser "pessoas com deficiência", que permanece até hoje."

Ela explica: "A diferença entre esta e as anteriores é simples: ressalta-se a pessoa à frente de sua deficiência. Ressalta-se e valoriza-se a pessoa acima de tudo, independentemente de suas condições físicas, sensoriais ou intelectuais. Também em um determinado período acreditava-se como correto o termo "especiais" e sua derivação "pessoas com necessidades especiais". "Necessidades especiais" quem não as tem, tendo ou não deficiência? Essa terminologia veio na esteira das necessidades educacionais especiais de algumas crianças com deficiência, passando a ser utilizada em todas as circunstâncias, fora do ambiente escolar."

A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, aprovada pela Assembléia da ONU em 2006, assinada pelo Brasil e outros cerca de 80 países em 2007 e ratificada em 2008 pelo Congresso Nacional, foi criada por governos, instituições civis e pessoas com deficiência de todo o mundo e acabou por oficializar o termo "pessoas com deficiência" em seu respectivo título.

Todos temos algum tipo de deficiência.
Ninguém é eficiente completamente, perfeito, ou sabe tudo, não é mesmo?

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Cegos e Sonhos

Hoje vou falar sobre um assunto que todos tem curiosidade: cegos e sonhos.

Muitas pessoas me perguntam: Você sonha?

Esta é uma dúvida muito comum. A questão dos sonhos dos cegos varia de pessoa para pessoa.

Eu por exemplo, não vejo nem nos sonhos. Sonho com lugares, vozes, enfim... Com as percepções que tenho no meu dia-a-dia.

Conheço pessoas que enxergam nos sonhos. Não sei se por já terem enxergado e terem memória visual. Já conheci também, uma pessoa que apesar de nascer cega, enxergava no sonho.
O espiritismo explica isso, mas como não quero incluir religião no assunto, não irei entrar em detalhes, pois cada um tem sua crença.

Mas o fato é que Cego sonha sim. Como, depende de cada pessoa.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Como uma pessoa que enxerga pode ativar e desativar o talkback


Como muitas pessoas que enxergam tem me perguntado como ativar e desativar o talkback em celulares com tela touch no sistema android, resolvi fazer um video explicando passo a passo. Cliquem aqui para assistir
Para quem não sabe, o talkback é um leitor de telas que nós deficientes visuais utilizamos para podermos utilizar celulares com tela touch com o sistema android. Para que nós deficientes visuais possamos ativá-lo com autonomia, o aparelho não pode ter sido ligado nem configurado. Caso este procedimento já tenha sido feito, iremos precisar de ajuda de alguém que enxerga para ativá-lo. Utilizei um samsung galaxy s5 duos com android 6.0, então Pode ser que em outros aparelhos o passo a passo seja um pouco diferente.

domingo, 22 de janeiro de 2017

como ser um beta tester do talkback

Como muitas pessoas me perguntam como faz para ser um beta tester do
talkback, abaixo coloco o passo a passo.

1- Se inscrever na lista eyes free com o mesmo e-mail configurado em seu
dispositivo;
2- Para se inscrever basta enviar um e-mail para
eyes-free+subscribe@googlegroups.com ou acessar a URL
https://groups.google.com/forum/#!forum/eyes-free
3- Após se inscrever, aguardar alguns minutinhos;
4- Acessar a URL para ser um beta tester,
https://play.google.com/apps/testing/com.google.android.marvin.talkback,
clicar no botão para virar um beta tester, caso nesta pagina apareça
alguma mensagem de erro terá que acessar a URL da lista eyes free e confirmar
a inscrição;
5- Agora basta atualizar o talkback pela play store do aparelho.

Após ter sido feito todos os passos a cima, o usuário irá receber sempre
que estiverem disponíveis as atualizações de versões betas e poderá
estar contribuindo com a equipe de desenvolvimento.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Carta de um cego a um vidente

Carta de um cego a um vidente
Sou um ser humano como você, mas perdi a visão. Se me permite, quero te dar uma série de sugestões que farão tudo mais fácil para mim: Se sou um menino cego, ou se já sou um adulto, ajuda-me a ajudar-me! Quando olhar para mim, não se feche em si mesmo, nem se sinta culpado. Sou um cego, mas sou como todos: Eu gosto de riso e a alegria, jogar nos dias de chuva com os cabelos ao vento e os pés descalços, gosto dos passarinhos e das flores, de ternura e de amizade. Gosto de te ouvir falar com naturalidade e que me ajude a descobrir o mundo. Não me deixe triste com a sua pena, nem me machuque com a sua compaixão. Ajuda-me a ajudar-me; pois, se fizer isso, poderei ser como os outros. Aprenderei a atravessar a rua, embora o trânsito me assuste; Poderei sair sozinho de casa, vou aprender a correr sem medo, a andar de bicicleta, a brincar, a rir, a ser útil. Nao me rejeite, aceite-me! Não me olhe com desconfiança, conheça-me! Não quero pena, ajuda-me! Pensa em mim como pessoa! Vê? Sou como os outros; sou como você, sou como o teu irmão, sou como o teu filho. Quero compartilhar a minha infância e a vida contigo. Quero, quando crescer, trabalhar. Quero ser útil a mim mesmo, aos meus pais, a ti, à sociedade. Ajuda-me a ajudar-me. Seja o mais natural possível comigo, aja sem exagero ou pena. Quando estivermos no mesmo ambiente, diga seu nome para que eu saiba quem é você. Se estivermos num grupo de pessoas e for dirigir a palavra a mim, diga o meu nome. Você pode usar comigo, sem problema algum, palavras como "cego", "ver ", "olhar ", etc. Para andar comigo, não me puxe pelo braço, permita que eu segure em teu ombro ou em teu cotovelo. Quando estivermos em frente a escadas, degraus, pedras soltas ou obstáculos, avise-me para me alertar. Se eu for me sentar, dirija a minha mão para o encosto da cadeira. Se houver um corrimão, dirija a minha mão na direção certa. Diga-me sempre algo sobre os lugares onde estamos, como são as coisas e o que está acontecendo Não use a buzina do carro para me mostrar que posso passar, pois me assusto. Se eu estiver em um cruzamento de ruas, agradeço muito se me ofertar sua ajuda. Se caminho em sua direção, desvie para um lado para evitar que nos choquemos. Se você estiver vindo de bicicleta, toca a campainha, para que eu saiba que vens. Se estou em alguma parada de ônibus, pergunte-me a minha rota, e me ajude a tomar a condução certa. Se você perceber que corro perigo no meio de um tumulto, me ajude por favor. Se houver muito tráfego de pessoas, ruído e confusão, agradeço se me der a sua ajuda. Se numa refeição for servida comida difícil de partir, também agradeço muito o seu apoio. Não deixe portas entre abertas, eu posso me machucar. Ao falar comigo, não olhes para o meu acompanhante, mas sim para mim. Sou cego, não surdo, fale com o mesmo tom de voz que você fala naturalmente. Se seguir estas práticas indicações poderá me ajudar e me entender, e descobrirá que ser cego não é uma condição tão limitante, se eu puder contar contigo.
(Adaptado de postagem recebida em redes sociais. Desconheço o autor)